Guia de Consumíveis para Polimento

O polimento metalográfico é uma das etapas mais críticas na preparação de amostras, tendo como objetivo principal eliminar os riscos remanescentes do lixamento e proporcionar uma superfície perfeitamente lisa, espelhada e com alta refletividade. Para alcançar esse nível de acabamento necessário para a análise em microscópios, a escolha e o uso correto dos consumíveis são fundamentais.

1. Agentes de Limpeza e Preparação

Antes de iniciar o polimento, a amostra deve estar rigorosamente limpa para evitar que resíduos abrasivos das etapas anteriores contaminem os panos de polimento.

  • Líquidos de baixo ponto de ebulição: O uso de álcool etílico ou éter é recomendado para remover poeiras e graxas, garantindo uma secagem rápida e sem manchas.
  • Ar quente: Após a limpeza com solventes, utiliza-se um jato de ar quente (geralmente de um secador) posicionado paralelamente à superfície para garantir que a amostra esteja completamente seca antes do contato com os abrasivos de polimento.

2. Abrasivos de Polimento

Os abrasivos são os responsáveis pelo corte fino que gera o brilho especular na amostra. Eles variam conforme a dureza do material analisado.

  • Alumina (Óxido de Alumínio): É um dos agentes mais tradicionais, frequentemente utilizado em suspensões com concentração de 10%. As granulometrias comuns seguem a sequência de 1 $\mu$m, 0,3 $\mu$m e 0,05 $\mu$m. Na prática laboratorial, a alumina nº 2 é consagrada para aços e ferros fundidos comuns, enquanto a nº 3, por ser mais fina, destina-se a metais moles como alumínio, cobre e suas ligas.
  • Pasta de Diamante: Considerada superior devido à sua alta dureza e poder de desbaste constante. A sequência típica de uso envolve partículas de 3 $\mu$m seguidas por 1 $\mu$m. É o consumível preferencial para materiais heterogêneos e ligas complexas.
  • Óxido de Cromo: Utilizado especificamente para o polimento de aços muito duros, proporcionando uma imagem nítida ao microscópio.

3. Panos e Discos de Polimento

Os abrasivos não são aplicados diretamente; eles dependem de um suporte fixado em pratos giratórios (politrizes).

  • Tecidos Especiais: Podem ser de feltro ou tecidos sintéticos específicos, escolhidos de acordo com a dureza da amostra e o tipo de abrasivo.
  • Cuidados Técnicos: É uma regra de ouro nunca polir amostras de metais diferentes no mesmo pano. Se um pequeno fragmento de um metal duro ficar preso nas fibras do pano, ele agirá como um contaminante que riscará profundamente qualquer amostra mais macia polida posteriormente.

4. Lubrificantes

A lubrificação correta é essencial para evitar o aquecimento excessivo e garantir que o abrasivo atue de forma homogênea.

  • Água destilada: Frequentemente usada como veículo para suspensões de alumina.
  • Álcool ou Lubrificantes Oleosos: Preferidos quando se utiliza pasta de diamante, para manter a fluidez do agente polidor sem degradar a pasta.

Boas Práticas e Manuseio

Para evitar defeitos como as “caudas de cometa” (causadas pelo destacamento de inclusões) ou riscos polidirecionais, deve-se aplicar uma pressão moderada sobre a amostra. O ideal é que a carga aplicada seja apenas um pouco superior ao próprio peso da peça, evitando fricção excessiva que possa deformar plasticamente a superfície. Além disso, recomenda-se movimentar a amostra no sentido inverso à rotação do prato da politriz para garantir a uniformidade do acabamento.

Analogia: O polimento metalográfico funciona como o trabalho de um lapidador de joias. Assim como uma pedra bruta precisa passar por pós cada vez mais finos para revelar seu brilho e pureza interior, o metal exige uma sequência rigorosa de consumíveis para que sua “face interna” (a microestrutura) se torne visível ao microscópio.